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Radar da Descomoditização
28 de outubro de 2026  ·  1 case, 4 menções
Case do dia
A Klubi tornou rentável o que os grandes decidiram ignorar
Todo brasileiro conhece o consórcio. Poucos sabem que é o produto financeiro com a estrutura de custo mais avessa ao ticket pequeno.

Um consórcio de R$ 5 mil (preço de um celular) exige o mesmo processo que um de R$ 500 mil. Análise de crédito, gestão do grupo, cobrança mensal, liberação de recursos, contemplação. No modelo analógico, com agente humano, o custo operacional não fecha.

Os grandes administradores de consórcio, bancos e seguradoras, decidiram que não valia. Ticket pequeno, margem negativa. Mercado ignorado.

A Klubi foi lá de qualquer jeito.

Com a única licença do Banco Central concedida a uma fintech para administrar consórcios, e 250 robôs agênticos cobrindo todas as etapas sem interação humana, ela tornou esse mercado rentável. Segundo Eduardo Rocha, fundador da Klubi, em entrevista ao NeoFeed de 26 de outubro de 2026, a carteira da empresa foi de R$ 100 milhões em 2022 para R$ 2 bilhões em 2026, com os mesmos 130 funcionários.

Vinte vezes a carteira. Mesma equipe.

80% da base são consórcios de celular. O cliente típico não tem aprovação bancária.

Hoje, 80% da base ativa da Klubi são consórcios de celular. A taxa de aprovação chega próxima a 90%. No financiamento do banco, o comparativo de mercado fica próximo a 30%.

A diferença não está na análise de risco. Está no custo de quem analisa.

Os incumbentes não entraram nesse mercado porque o custo operacional tornava o ticket inviável. A Klubi resolveu o custo. O mercado já existia.

 
Resumo

Klubi (SP/RJ/BR) é uma fintech de consórcio com a única licença do Banco Central concedida a uma startup para administrar consórcios, operando com 250 robôs agênticos que cobrem 96% das vendas sem interação humana. Foco: consórcio de celular (ticket R$ 5 mil) para clientes sem aprovação bancária. Porte: média empresa (ARR ~R$ 180 milhões em 2024, 130 funcionários, capital fechado).

O mecanismo que os incumbentes não têm (e não é só tecnologia). A licença do Banco Central para administrar consórcios não é uma formalidade. É um processo regulatório que demora anos, exige capital regulatório próprio e passa por auditoria da SUSEP. Mesmo que um banco tradicional decida entrar no mercado de consórcio de celular, não consegue fazer isso amanhã. A Klubi tem quatro anos de vantagem de operação e R$ 2 bilhões de dados de 100 mil clientes que nenhum entrante vai ter no primeiro dia. Os 250 robôs agênticos não são ferramentas de produtividade. São ativos que aprendem com cada transação.

O que a análise honesta não pode afirmar. Os números deste kit são declarações do fundador Eduardo Rocha em entrevistas jornalísticas, não dados auditados. O crescimento de 20x de carteira com mesmos 130 funcionários é a cifra mais reveladora, mas é ainda uma afirmação de CEO, não um balanço. O ARR de R$ 180 milhões é o último divulgado (Série A, 2024). Isso não invalida o case. Invalida afirmações absolutas sobre o tamanho exato do negócio.

A conexão com a tese e o contraponto do livro. O cap. 4 do livro mostra que singularidade real não vem de um atributo copiável: vem da combinação que o incumbente não tem reunida. No caso da Klubi, a tríade é licença do BC + histórico de 100 mil clientes + 250 robôs treinados com R$ 2 bilhões de operações. Cada elemento isolado seria copiável. Juntos, com quatro anos de vantagem, formam o que o capítulo chama de sistema. O contraponto que ajuda a calibrar: a TOTVS (cap. 5) faz o mesmo com ERP. Quem integra o sistema de gestão cria histórico e fluxo que não migram. O consórcio da Klubi faz análogo: quem já contribuiu por meses em um grupo não sai sem perder a posição e o histórico de crédito acumulado. Nas edições sobre a Dimona (24/10) e a Fortio (26/10), o padrão era parecido: não o produto, mas o custo de servir o cliente que os grandes não conseguem servir de forma rentável.

 
O que você leva disso

Você provavelmente não vai administrar consórcios. Mas há uma pergunta que vale para qualquer operação:

Qual cliente você está descartando por custo operacional, não por inviabilidade do cliente?

Não é a mesma coisa. Um cliente com ticket baixo não é, necessariamente, um cliente ruim. Pode ser que a operação para servi-lo ainda seja analógica demais para o ticket que ele gera.

Antes de decidir que um mercado não é para você, vale perguntar: se eu automatizasse metade da triagem e do atendimento, o ticket mínimo mudaria? A resposta pode ser que sim, e que o mercado que você descartou tem R$ 2 bilhões de oportunidade esperando.

 
No radar · 4 menções

180 Seguros: +919% em prêmios emitidos, chegando a R$ 273,9 milhões em 2025. A seguradora digital opera no modelo B2B2C: empresas parceiras (DMCard, CredPago, Solfácil, QI Tech, Loja do Mecânico) vendem seguros digitais para seus clientes usando a infraestrutura da 180. O seguro é commodity por definição legal. O movimento da 180 não foi criar um seguro novo; foi mudar quem vende. Quando o parceiro já tem o cliente na base, o custo de aquisição cai e o produto fica embutido no relacionamento existente. Resultado no setor que recuou 4,75% em 2025: a 180 cresceu 919%. ler ›

CR Duarte Engenharia: 1.892% de crescimento de receita em 2025, chegando a R$ 67,3 milhões. A construtora mineira ficou em 1º lugar na categoria R$ 30 milhões a R$ 150 milhões do NEEX 2026, ranking de empresas que mais cresceram no Brasil, auditado pelo BTG Pactual. Opera no modelo de gestão e execução de obras para terceiros, com especialização em obras de infraestrutura regional. Ticket médio menor que o das grandes construtoras nacionais, mercado geográfico que as grandes ignoram. ler ›

Klubi aprova consórcio de celular com taxa de 90% para quem o banco rejeita. A inadimplência da Klubi no segmento de celulares fica entre 8% e 9%, segundo o fundador: acima dos 2% em veículos, mas compatível com a margem de operação automatizada. Isso sugere que a análise de crédito dos robôs agênticos da empresa já incorporou o perfil de risco real do segmento, não o perfil bancário conservador. O setor de consórcios cresceu 25,5% no primeiro semestre de 2026 (ABAC), e a Klubi cresce no segmento que os incumbentes não disputam. ler ›

Justo Café: R$ 4 milhões de receita em 2025, com cinco lojas no Rio de Janeiro. O casal fundador começou em 2018 com R$ 70 mil e chegou a R$ 4 milhões em 2025 sem publicidade, só com recomendação de clientes e posicionamento de café gourmet premium em bairros onde o ticket de café é três vezes o da padaria da esquina. Em 2024, entrou no franchising com investimento inicial de R$ 290 mil por unidade. O modelo prova que diferenciação em produto de R$ 15 funciona quando o processo de experiência está certo. ler ›

 
Mauricio Schneider
Mauricio Schneider
 

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