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Na edição anterior eu mostrei por que o preço da Oi não foi estratégia: foi o que restou quando as outras alavancas acabaram. Ficou uma pergunta em aberto, e ela é incômoda. Se a queda da Oi se explica pela dívida e pela obrigação regulatória, então o que exatamente a concorrente fez de diferente?
Hoje é o outro lado da mesma rede.
A Oi e a Vivo construíram o Brasil de fibra ótica juntas. Usaram a mesma tecnologia e disputaram os mesmos clientes.
O que elas não tiveram foram as mesmas regras. A Vivo negociou a saída do regime de concessão e comprou o direito de parar de investir em cobre deficitário: valor presente estimado em R$ 2,1 bilhões, cerca de R$ 300 milhões por ano. A Oi ficou presa na obrigação, e a conta para migrar depois foi de R$ 5,8 bilhões em contrapartidas. Guarde esses dois números, porque eles descontam parte do que vem a seguir.
Em 2022, a Oi entrou em recuperação judicial com mais de R$ 65 bilhões em dívida. Vendeu sua rede de fibra para o consórcio V.tal e encerrou a operação residencial.
Em 28 de julho de 2026, a Vivo divulgou o resultado do segundo trimestre: lucro de R$ 2,07 bilhões, alta de 17%. EBITDA de 41,8%. Receita crescendo 7,6%. A operação de fibra passou de 32 milhões de casas cobertas, com 8,2 milhões já conectadas.
Mesma tecnologia. Resultado oposto.
A leitura.
O fio de vidro é commodity. Custa centavos por metro. Qualquer empresa pode comprar.
O que não se compra num catálogo é o que vem depois do fio: a infraestrutura passada embaixo de dezenas de milhões de endereços, o cliente corporativo que integrou cloud e PABX no mesmo contrato, o bundle que quebra quando alguém tenta sair, o ativo imobilizado que está no balanço há 20 anos e não vai a lugar nenhum.
A Vivo está construindo sistema dentro de uma operação que ainda tem a maior parte da receita em cotação. O Mobile é 64,6% da receita, opera com quatro concorrentes e portabilidade ativa.
Mas a operação de fibra residencial (FTTH, 13,6% da receita) e o B2B corporativo (9,3%) crescem mais rápido que o Mobile. São as duas linhas com custo de saída estrutural. Juntas representam 22,9% da receita. A cada trimestre, esse percentual sobe.
A Oi fez o oposto: cresceu em tudo ao mesmo tempo. Fixo, mobile, fibra, TV, data center, torre. Cada frente precisava de capital. Nenhuma ficou funda o suficiente para segurar a operação quando o custo da dívida pesou.
Descontada a régua regulatória, o que sobra não é diferença de visão. É diferença de profundidade. E essa parte não tem desculpa de ambiente: nenhuma regra obrigou a Oi a abrir seis frentes ao mesmo tempo.
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