‹ Todas as ediçõesReceber por e-mail ›
 
Radar da Descomoditização
28 de julho de 2026  ·  1 case, 4 menções
Case do dia
A empresa que o mundo não conseguia copiar perdeu 6% em um dia. A China copiou a versão de 8 gerações atrás.

Em 2024, o CEO da ASML foi direto: os chineses ainda levariam "15 a 20 anos" para fabricar os sistemas que a empresa holandesa havia construído ao longo de 40 anos.

Em 27 de julho de 2026, a ação da ASML caiu 6% em um dia.

A ASML fabrica máquinas de litografia EUV: equipamentos que imprimem chips de 2 nanômetros em silício. A tecnologia por trás do iPhone, dos data centers da Amazon, dos chips da Nvidia. Única fabricante no planeta. Faturamento de €32,7 bilhões em 2025. Capitalização de US$ 643 bilhões.

Em julho de 2026, um consórcio chinês com apoio do governo, formado por Yuliangsheng, SiCarrier e Huawei, anunciou produção em massa de máquinas de litografia. Plano: 5 entregas até dezembro de 2026, 20 ao longo de 2027.

Mas o que a China fez não foi o EUV. Foi o DUV, a geração anterior, a que a ASML dominava em 2010. Chips de 28 nanômetros, não de 2. Para chegar lá: cerca de €37 bilhões e um consórcio estatal de grande escala.

O EUV segue único. O DUV, não. E o mercado não distinguiu.

O caso da ASML mostra que singularidade não é uma coisa só. É uma série de camadas sobrepostas.

A camada do DUV era real. Protegia margens. Parecia incopiável. Mas tinha um custo de cópia finito: €37 bilhões, 10 anos de esforço estatal, e chegaram lá.

A camada do EUV é diferente. Supply chain que inclui Carl Zeiss, com décadas de desenvolvimento conjunto em óticas de precisão que nenhum competidor reproduz isoladamente. O CEO da ASML estima mais 15 a 20 anos para os chineses, mesmo com todo o capital disponível.

O mercado não esperou para saber qual camada havia cedido. Reagiu ao primeiro sinal de imitação: queda de prêmio de 6% numa segunda-feira, mesmo com o monopólio do EUV intacto.

A pergunta que fica para qualquer negócio: o que você construiu até hoje é o EUV ou o DUV da sua categoria? O DUV funciona, gera margem, parece incopiável, até aparecer um concorrente com €37 bilhões e 10 anos de paciência. O EUV exige acumulação que nenhum capital compra de uma vez.

DUV é atributo
EUV é sistema
 
No radar · 4 menções

Stone descobriu que maquininha é commodity e quer virar banco. Com 22% do mercado de terminais, a empresa definiu sua nova estratégia: deixar de ser processadora e virar banco. TPV cresceu 2,7%, mas a ação caiu 24,8% em 2026. O mercado está precificando se o banco é o EUV que ela ainda não tem ou o DUV que ela pensa ter. ler ›

Embraer bate o 7º recorde consecutivo de backlog: US$ 34,5 bilhões. Sessenta e cinco jatos entregues no 2T26, melhor segundo trimestre em 16 anos. Sete trimestres seguidos de recorde não são timing: são o resultado de ter entrado em mercados que a Boeing e a Airbus não queriam defender com a mesma intensidade. ler ›

Azzas 2154: ação -50% em 2026. A Farm Rio sozinha vale mais que o grupo inteiro. Holding de 28 marcas premium, lucro caiu 45,7% no 1T26. O JPMorgan avalia a Farm Rio entre R$ 4,4 e 5,5 bilhões. O caso Azzas é o oposto do Granado: 28 atributos somados valem menos que um sistema de identidade singular. ler ›

Simpar vende porto da Bahia por R$ 1,8 bilhão para um operador global. A holding que controla JSL, Movida e Vamos segue desinvestindo de ativos não-core. Saber o que não é o seu EUV também é estratégia: porto é ativo, logística terrestre e gestão de frota são o sistema que a Simpar está aprofundando. ler ›

Singularidade tem camadas. A pergunta não é se você tem uma. É qual das suas cede primeiro, e você está aprofundando as que não cedem?
Mauricio Schneider
Mauricio Schneider
Especialista em Descomoditização
 

Este Radar é o livro.

O que você acabou de ler não é aperitivo de nada. É uma página do livro que estou escrevendo há dois anos. Ele se chama O Segredo da Descomoditização e sai em outubro de 2026, pela Alta Books. Em outubro só encaderno o que você já vem lendo aqui.

Quer saber na hora que abrir: entra na lista.

 
Radar da Descomoditização
Você recebe este radar porque se inscreveu na newsletter do Mauricio Schneider.

Gostou desta edição? O Radar chega assim, de graça, no seu e-mail.

Assinar o Radar