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Radar da Descomoditização
12 de julho de 2026  ·  1 case, 4 menções
Case do dia
A Boeing desistiu em 2020. 2026: melhor resultado em 16 anos.

Em 2020, o Boeing saiu de um acordo de US$ 4,2 bilhões com a Embraer no meio do caminho. O mercado disse que a Embraer estava condenada sem um sócio grande. Incapaz de competir com o duopólio Boeing-Airbus sozinha.

Seis anos depois: receita recorde de R$ 7,6 bilhões no 1T26. Melhor segundo trimestre em 16 anos com 65 aeronaves entregues. E a LATAM, a maior companhia aérea da América Latina, vai usar um jato Embraer pela primeira vez na história.

Isso não é sobre aviação.

O que o Boeing tentou comprar

A Boeing não desistiu porque a Embraer era fraca. Desistiu porque percebeu que não conseguia absorver o que a Embraer realmente tem.

O ativo da Embraer é o E-jet, a família de aeronaves para o mercado regional (70 a 150 assentos). O sistema é outra coisa: uma rede de suporte técnico certificada em mais de 100 países, centros de treinamento de pilotos em quatro continentes, 100 companhias aéreas regionais que construíram rotas inteiras em cima da plataforma, estoque de peças específicas em aeroportos do mundo inteiro.

Isso se construiu em 50 anos. Não se compra. Não se replica em 12 meses. A Boeing poderia comprar o ativo. Não conseguiria comprar o sistema.

O mercado que os grandes abandonam é a singularidade mais profunda.

Os dados de um sistema que funcionou

No 1T26, a receita da Embraer bateu R$ 7,6 bilhões, crescimento de 18% na comparação anual. Recorde histórico. EBITDA ajustado de R$ 749,4 milhões, margem de 9,9%, alta de 18,8%. Backlog de US$ 31 bilhões. (Gazeta Mercantil, 05/2026)

No 2T26, 65 aeronaves entregues. Melhor segundo trimestre em 16 anos. (Seu Dinheiro / ADVFN, 03/07/2026)

E a LATAM, que por décadas operou exclusivamente com Boeing e Airbus, vai adicionar jatos Embraer à frota para rotas domésticas onde o E195-E2 é mais eficiente do que um narrowbody. (Exame, 07/2026)

Quando o maior player que ignorava você começa a procurar você, o sistema provou que existe.

O princípio que não muda de setor

O consultor que foi para um nicho que as grandes consultorias consideram inviável. Dez anos depois, ele conhece aquele setor de um jeito que nenhum generalista aprende em seis meses.

O produtor de café especial que foi para uma microrregião que as grandes torrefações não visitavam. Construiu rastreabilidade, terroir, relação com baristas. Hoje o distribuidor grande quer a exclusividade que o produtor não precisa mais conceder.

A clínica médica que especializou em uma patologia rara que os hospitais grandes não queriam. Agora os hospitais encaminham os pacientes.

Não porque o mercado era pequeno. Porque quem ficou lá teve tempo para construir o sistema que quem está fora não consegue comprar.

Atributo vence pelo preço
Sistema vence pelo custo de saída
 
No radar · 4 menções

SLC Agrícola: terras valem R$ 13,5 bilhões. A empresa vale R$ 6,75 bilhões. A Deloitte avaliou o portfólio de terras da SLC em R$ 13,5 bilhões. Market cap: R$ 6,75 bilhões. Desconto de 50% sobre os ativos físicos. Ser dono de ativos excelentes em mercado commodity não é descomoditização. A diferença entre a SLC e a Ferrari: a Ferrari tem fila de espera. (Brazil Journal, 08/07/2026) ler ›

TOTVS 1T26: margem EBITDA da operação de Gestão ultrapassa 30% pela primeira vez. Receita de R$ 1,6 bilhão (+16% a.a.), EBITDA ajustado de R$ 455 milhões (+24%), receita recorrente +18,5%. A TOTVS não é um fornecedor de software. É o sistema operacional de 50 mil PMEs brasileiras. Trocar de ERP significa migrar dados, recriar relatórios, requalificar funcionários. O custo de troca é operacional. Isso é lock-in de sistema. (Portal ERP / TI Inside, 06/05/2026) ler ›

SpaceX pode chegar a US$ 10 trilhões. Não pelo foguete. Pelo satélite. Raymond James projetou valuation de US$ 10 trilhões até 2030, baseado no Starlink: 7.000 satélites, 5 milhões de assinantes em 100 países, 3 a 5 anos para qualquer concorrente chegar perto em cobertura. O foguete era o meio. O Starlink é a singularidade. (NeoFeed, 09/07/2026) ler ›

Magalu anuncia que parou de jogar o jogo do preço baixo. E perdeu 9% dos usuários propositalmente. 1T26: Magalu perdeu 9% de usuários ativos versus 2025, enquanto Shein crescia 29%. A diretora de RI declarou: "It’s a game we decided not to play." A aposta: ecossistema (lojas físicas + Luizacred com ROE de 25% + Lu AI) entrega mais valor do que o preço baixo. Quais clientes você está disposto a perder para proteger a margem dos que ficam? (Mercado & Consumo, 06/07/2026) ler ›

Existe um mercado que seus concorrentes ignoram porque parece pequeno demais?
Se você passou os últimos anos tentando disputar o campo deles, talvez seja hora de olhar para o campo que eles abandonaram.
Maurício Schneider
Maurício Schneider
Um abraço,
@mauricionoagro
 
Fontes: Seu Dinheiro / ADVFN (03/07/2026), Gazeta Mercantil (05/2026), Investing.com (05/2026), Exame (07/2026), Brazil Journal (08/07/2026), TI Inside (06/05/2026), NeoFeed (09/07/2026), Mercado & Consumo (06/07/2026). Curadoria do Time de Research.
Instagram @mauricionoagro · LinkedIn /in/mauricioschneider

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