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Radar da Descomoditização
5 de julho de 2026  ·  1 case, 4 menções
Case do dia
A farmácia de 1870 que não modernizou chegou a R$ 1,8 bi. Com 60% de margem bruta.

A consultoria disse: modernize. O mercado disse: consolide. O capital de risco disse: escale com portfólio.

A Granado disse não.

E chegou a R$ 1,834 bilhão de faturamento em 2025, crescimento de 13% sobre o ano anterior, com margem bruta em torno de 60% e EBITDA de 23%. A empresa cresceu 4-5x na última década praticamente sem capital de risco: 75% do lucro é reinvestido. (Bloomberg Línea, 2026)

Saber o que não mudar é o sistema mais difícil de copiar.

A linha de perfumaria foi de 600 mil unidades há quatro anos para cerca de 6 milhões em 2025. Crescimento de 900%. Orgânico. “Quando um produto viraliza, normalmente é de forma orgânica”, diz Sissi Freeman, diretora de marketing. (Bloomberg Línea, 2026)

Em 2026, em vez de consolidar, a Granado separou. A Phebo saiu das lojas Granado em abril e passou a operar em rede própria. O motivo: a Phebo gerava 30% da receita das lojas sem construir identidade. O cliente comprava sem saber qual marca havia levado para casa. (Exame, 2026)

Três marcas. Três identidades. Três redes separadas.

Não portfólio. Sistema.

PORTFÓLIO DE 28 MARCAS PREMIUM
IDENTIDADE DE 155 ANOS QUE O MERCADO NÃO CONSEGUE COMPRAR

A Hering foi comprada pelo Grupo Soma por R$ 5,1 bilhões em 2021. Em 2026, analistas estimam a marca em cerca de R$ 700 milhões. Queda de 86% em cinco anos. A marca tinha história, distribuição, recall. O que foi se dissolvendo no portfólio foi o sistema: o lugar único que ela ocupava na cabeça do consumidor. (Economic News Brasil, 24/jun/2026)

A Azzas 2154, com 28 marcas no portfólio, valia R$ 3,6 bilhões em bolsa enquanto o JPMorgan avaliava a Farm Rio sozinha entre R$ 4,4 bilhões e R$ 5,5 bilhões. (Seu Dinheiro / JPMorgan, 2026)

Vinte e sete marcas somadas valendo menos que uma identidade.

 
No radar (4 menções)

1. Boticário chega a 0,2pp da Natura em mercado fraco. GMV de R$ 38,1 bilhões em 2025, market share 15,5% versus 15,7% da Natura (menor diferença histórica). Sistema de dados com 26 milhões de clientes no Beautybox e e-commerce +19%. A Natura registrou queda de 5% na receita. O que cresce é sistema; o que recua é portfólio sem integração. InfoMoney, 19/abr/2026

2. Vivara 1T26: joias cresceram 18,1% mesmo com ouro em alta. Receita do segmento: R$ 388,7 milhões. Ticket médio +7%. Margem bruta consolidada: 69,8% (+2,0pp a/a). O preço do insumo subiu. O preço ao cliente também. E o cliente pagou. Isso é poder de precificação de sistema. Money Times, mai/2026

3. China encurta o ciclo de diferenciação: o que durava anos agora dura meses. Shein, Temu, JD.com, Alibaba e Zeekr comprimiram o ciclo de cópia. “A inovação deixou de ser um ativo de diferenciação duradoura e passou a funcionar como requisito mínimo de permanência competitiva.” Empresa com atributo tem prazo de validade. Empresa com sistema tem singularidade. Exame, 11/jun/2026

4. Breville: 10-30% de prêmio no mercado de máquinas de café. O cliente paga. Preços 10-30% acima dos concorrentes na Europa e América do Norte sem perda relevante de share. Identidade premium em categoria percebida como comoditizada. Nota: moat é narrow, não wide. Identidade sem evolução se fragiliza. Morningstar, 2026

 
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Portfólio entra na planilha de M&A.

Sistema não tem linha na planilha.

Maurício Schneider
Maurício Schneider
@mauricionoagro
linkedin.com/in/mauricioschneider
Fontes: Bloomberg Línea (2026) · Exame (2026) · Robb Report Brasil (2026) · Economic News Brasil (24/jun/2026) · Seu Dinheiro / JPMorgan (2026) · InfoMoney (19/abr/2026) · Money Times (mai/2026) · Morningstar (2026)
Radar da Descomoditização · @mauricionoagro · Este e-mail foi produzido pela equipe de research do Maurício Schneider.
 

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